Fazer um governo inconteste é um tanto difícil. Nos Estados Unidos, desde o mandato do republicano Herbert Roover, de 1929 a 1933, o único presidente sucedido por um colega de partido eleito foi o republicano Ronald Reagan, que passou a faixa a George H. W. Bush. Muitos desses chefes de Estado conseguiram a reeleição, mas a sucessão foi, em geral, um desafio que não puderam vencer.
No Brasil, temos um exemplo emblemático. Juscelino Kubitschek fez, de 1956 a 1961, um louvável governo. Gastou muito, equivocou-se em algumas decisões estratégicas, é verdade. Porém, parece claro que, após os anos JK, o padrão de vida dos brasileiros melhorou de forma significativa. Por consenso, o mineiro foi um ótimo presidente. Mesmo assim, não conseguiu carregar seu antigo aliado General Lott ao Palácio do Planalto. Os brasileiros preferiram o falastrão Jânio Quadros.
Na cabeça do eleitor, deve haver duas vertentes muito fortes: a pessoa e os defeitos. Quando um presidente busca a reeleição, ficam marcados seus triunfos. É fácil falar sobre os acertos do governo e, através deles, catalisar concretamente uma vitória eleitoral. Por outro lado, quando o candidato é da situação, mas jamais governou, expõem-se os erros. A oposição critica qualquer passo em falso, e o pleiteante à presidência não tem o que argumentar, a não ser fazendo menções ao mandato do seu companheiro.
Outro ponto interessante é o inevitável desgaste de uma linha partidária. Pensemos no exemplo dos Estados Unidos. Após oito anos de democratas no poder, vêm à tona a cultura do extremamente livre mercado e a demanda por uma soberania nacional mais enfática. Quando, porém, um republicano governa por dois mandatos, a população se cansa dos excessivos gastos militares e injustiças sociais. É um revezamento quase natural.
Aqui no Brasil, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso começa a fazer força para cumprir a lógica. No início do mês, o tucano afirmou que o Governo Lula não favorece a democracia e clamou pelo "fim do comunismo" no país. FHC é esperto e sabe que a provável candidata petista, Dilma Rousseff, ainda não tem o apelo nacional de que precisa para ser eleita. Assim, declarações daqui e ações estratégicas dali reforçam a provável candidatura de José Serra ao Palácio do Planalto.
Conhecedor do tradicional revezamento entre linhas de governo, Lula reagiu rapidamente. E parece, mais uma vez, ter se equivocado em suas declarações. O petista garante que FHC , a fim de garantir a volta do PSDB à presidência, torce pelo seu fracasso. Ainda mais enfático, alegando que os tucanos estão treinando cabos eleitorais contra ele no Nordeste, comparou a atitude dos peessedebistas às de Adolf Hitler. “É um pouco do que Hitler fazia para os alemães pegarem os judeus, ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam. (...) Fiquei com pena. (...) Vão encontrar gente do PT, do PC do B, da CUT, do MST. Acho que vão se dar mal”, afirmou.
Acreditando em quem quiser, você sabe o que a história das democracias diz sobre as eleições de 2010. A lógica sugere uma ascensão tucana ao poder. Entretanto, se alguém tem força popular suficiente para derrubar regras, este é Lula. O circo do revezamento está armado, mas o presidente promete fazer a "pessoa" (ele, abraçado a Dilma Rousseff) vencer os "defeitos".
Foto: Wikipédia
No Brasil, temos um exemplo emblemático. Juscelino Kubitschek fez, de 1956 a 1961, um louvável governo. Gastou muito, equivocou-se em algumas decisões estratégicas, é verdade. Porém, parece claro que, após os anos JK, o padrão de vida dos brasileiros melhorou de forma significativa. Por consenso, o mineiro foi um ótimo presidente. Mesmo assim, não conseguiu carregar seu antigo aliado General Lott ao Palácio do Planalto. Os brasileiros preferiram o falastrão Jânio Quadros.
Na cabeça do eleitor, deve haver duas vertentes muito fortes: a pessoa e os defeitos. Quando um presidente busca a reeleição, ficam marcados seus triunfos. É fácil falar sobre os acertos do governo e, através deles, catalisar concretamente uma vitória eleitoral. Por outro lado, quando o candidato é da situação, mas jamais governou, expõem-se os erros. A oposição critica qualquer passo em falso, e o pleiteante à presidência não tem o que argumentar, a não ser fazendo menções ao mandato do seu companheiro.
Outro ponto interessante é o inevitável desgaste de uma linha partidária. Pensemos no exemplo dos Estados Unidos. Após oito anos de democratas no poder, vêm à tona a cultura do extremamente livre mercado e a demanda por uma soberania nacional mais enfática. Quando, porém, um republicano governa por dois mandatos, a população se cansa dos excessivos gastos militares e injustiças sociais. É um revezamento quase natural.
Aqui no Brasil, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso começa a fazer força para cumprir a lógica. No início do mês, o tucano afirmou que o Governo Lula não favorece a democracia e clamou pelo "fim do comunismo" no país. FHC é esperto e sabe que a provável candidata petista, Dilma Rousseff, ainda não tem o apelo nacional de que precisa para ser eleita. Assim, declarações daqui e ações estratégicas dali reforçam a provável candidatura de José Serra ao Palácio do Planalto.
Conhecedor do tradicional revezamento entre linhas de governo, Lula reagiu rapidamente. E parece, mais uma vez, ter se equivocado em suas declarações. O petista garante que FHC , a fim de garantir a volta do PSDB à presidência, torce pelo seu fracasso. Ainda mais enfático, alegando que os tucanos estão treinando cabos eleitorais contra ele no Nordeste, comparou a atitude dos peessedebistas às de Adolf Hitler. “É um pouco do que Hitler fazia para os alemães pegarem os judeus, ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam. (...) Fiquei com pena. (...) Vão encontrar gente do PT, do PC do B, da CUT, do MST. Acho que vão se dar mal”, afirmou.
Acreditando em quem quiser, você sabe o que a história das democracias diz sobre as eleições de 2010. A lógica sugere uma ascensão tucana ao poder. Entretanto, se alguém tem força popular suficiente para derrubar regras, este é Lula. O circo do revezamento está armado, mas o presidente promete fazer a "pessoa" (ele, abraçado a Dilma Rousseff) vencer os "defeitos".
Foto: Wikipédia








